“Ter quem te acolha e te traga flores mesmo de mãos vazias, pois a presença também é um verdadeiro jardim. Ter um peito onde deitar, um ombro onde encaixar a cabeça e repousar os pensamentos escuros de um dia muito claro, mas confuso. Ter um perfume preferido para procurar na multidão e um par de olhos aflitos para encarar. Ter um coração onde o colar o seu. Ter para onde ir, voltar, correr, estacionar. Ter a quem recorrer. E ter quem desperte o sábado nublado não como um dia novo, mas como um ano inteiro a sorrir pela frente. E quem fique, ainda que vá. E quem diga, ainda que cale. E quem ame, ainda que falhe. Ter a quem amar… Em quem se acabar.”— Camila Costa.
já é ruim o suficiente isso que tô sentindo, não me peça para explicar.
verbalizar torna tudo mais real. e dói.
e outra vez, nos vemos no mesmo lugar,
o que mudou até aqui?
está tudo mudado e o que restou foram só lembranças.
acabamos sempre fazendo a mesma escolha,
entre querer ficar ou ir embora.
dizemos com clareza que queremos ficar
mas sempre predestinados a ir embora.
que obra.
tu foi uma das coisas mais bonitas que o meu coração se atreveu a guardar.
meu cabelo sob o sol lembra o outono
que harmoniza com as minhas bochechas rosadas e com os meus olhos de cansaço de quem sabe pouco mas sonha muito
ninguém que me vê andando por aí sabe o quanto eu lutei pra ver doçura em ser isso
ou quantas vezes eu já me peguei no colo e repeti baixinho que tudo bem desabar
porque eu tô aqui pra me salvar todos os dias
às vezes eu ainda desabo e tudo volta, mas o meu gostar pelo universo me faz admirar as estrelas
e eu sei que eu tenho uma luz tão maciça que vence qualquer escuridão
essa mesma luz me fez amar cada parte minha
cada gosto e mania estranha
cada parte já julgada
essa luz me fez olhar pra dentro e dizer: você não é um erro
e eu sei que as coisas são boas quando escuto sleeping at last e me sinto exatamente como as músicas: imensa e forte
ou quando eu leio os poemas de amor de Drummond e sinto girassóis florescendo em mim
a arte que eu carrego nas veias me ensinou que eu posso fazer dos dias pesados algo mais suportável
e escrever sobre isso é um ato de amor, gratidão e convicção de que eu sou boa mesmo com todas as cicatrizes que a vida me fez e ainda irá fazer
eu não preciso ser alguém mais leve,
hoje tenho orgulho da minha resiliência e de abrir o peito nessa cidade em que ninguém sabe amar.
hoje eu sou um bom lugar.
e ele não respondeu mais a minha última mensagem
e aconteceu que eu não mandei outra
e foi assim que nós desaparecemos dos mundos um do outro
as vezes eu ainda me pegava pensando nele, arrumando desculpas para tamanha indiferença
mas só agora eu percebo
que não existe a necessidade de perguntar
porque agora, olhando para trás
cada detalhezinho
já tinha a resposta.
vez ou outra, conhecemos pessoas que estão com o coração ferido. uma ferida que outro alguém causou e por isso deixa de viver coisas incríveis. essa ferida que já não se encontra no presente mas está viva e sempre alimentada por essa pessoa.